Dia do Quadrilheiro é comemorado na Câmara do Recife

O plenário da Câmara Municipal apropriou-se do clima junino que toma conta das ruas do Recife e, com a participação de artistas populares, comunicadores, forrozeiros e quadrilheiros, realizou uma reunião solene na manhã desta sexta-feira, 19, por iniciativa do vereador Almir Fernando (PCdoB). Foi uma solenidade para entrega da Medalha do Mérito José Mariano, a maior comenda do legislativo municipal, ao forrozeiro e compositor Jorge Silva, como também para comemorar o Dia do Quadrilheiro, que faz parte do calendário oficial de eventos do município, e que apesar de ser dia 27, foi antecipado extraordinariamente para realização de um único evento. Os componentes da quadrilha Origem Nordestina, do Morro da Conceição, assistiram à solenidade com os coloridos figurinos das apresentações.

O Dia do Quadrilheiro, que está previsto na lei municipal 17.887/2013, surgiu de uma proposição do vereador Almir Fernando, que agora também propõe a criação do Dia do Forrozeiro. Esse último faz parte de um projeto de lei ainda em tramitação na Câmara Municipal do Recife. A alegria das comemorações tomou conta da solenidade, que foi presidida pelo vereador Eduardo Marques (PTB). A mesa foi composta pelo forrozeiro Jorge Silva, pela presidenta da Federação Pernambucana das Quadrilhas Juninas (Feguajupe), Michely Miguel e pelo empresário Júlio Asfora. Na abertura, a emoção tomou do plenário e das galerias, que estavam lotados, quando o sanfoneiro Damião Mota tocou e a cantora Nádia Maia, madrinha do São João de Pernambuco 2015, cantou o Hino Nacional.

No discurso, o vereador Almir Fernando disse que as quadrilhas juninas têm uma importância não apenas cultural, por animar os arraiais em todo o município do Recife, como também porque realizam um trabalho social. “Elas trabalham durante todo o ano e até participam de ações para retirar jovens da droga e da vulnerabilidade social nas comunidades”, disse. Ele lembrou que “teve a felicidade de nascer em um bairro que respira a cultura popular, com manifestações que ultrapassam séculos, como a quadrilha junina”. Acrescentou que fica mais feliz ainda porque observa muitos jovens se misturando aos mais experientes para “não deixar a magia da quadrilha acabar”.

Almir Fernando explicou que o quadrilheiro junino é o profissional “que utiliza meio de expressão artística cantada, dançada ou falada transmitido por tradição popular nas festas juninas”. Ressaltou que a quadrilha é a principal dança nas comemorações de festas juninas. No Brasil, foi introduzida no período regencial e fez bastante sucesso nos salões do século 19. No ano de 2011, a presidenta Dilma Rouself sancionou a Lei 12.380/2011, que institui o dia Nacional do Quadrilheiro Junino. “As quadrilhas juninas se constituem em um movimento cultural que vai além da cultura, ao impactar a cadeia produtiva e modificar a realidade social”, disse.

Após o discurso, ele fez a entrega da Medalha ao Mérito José Mariano a Jorge José da Silva. O forrozeiro nasceu em Campo Grande, bairro do Recife, em 30 de Outubro de 1962, filho do pintor de parede José Mário da Silva e da costureira Marieta da Conceição Silva. O gosto pela música chegou logo na infância. Órfão de pai, muito cedo Jorge Silva começou a trabalhar para ajudar a mãe a manter os irmãos mais novos, estudar e ouvir os grandes cantores da época, num rádio ABC, que mantinha o tempo todo, ligado sobre uma cristaleira.

Ao fazer o discurso de agradecimentos, o forrozeiro e compositor resumiu sua história e disse que os primeiros passos que o levariam à descoberta do dom artístico, aconteceram quando, atraído pelo batuque da Escola de Samba Lambari, de Campo Grande, entrou para a bateria, como aprendiz de ritmista. Foi convidado pela ala de compositores para apresentar o samba e puxar a escola na avenida. Revelou o seu talento. E terminou gravando sambas pela extinta Gravadora Rozemblit. Daí em diante, praticamente abandonou a profissão de serralheiro para se dedicar, às composições. “Também conheci o cantor romântico Tarcys Andrade, que foi o primeiro artista a gravar minhas músicas”.

Jorge Silva apaixonou-se pelo forró e agora comemora 25 anos cantando o autêntico forró nordestino. É autor de 150 obras. “Hoje, recebo esta medalha, que divido com todos os artistas ligados ao forró. Essa homenagem chega em momento especial, quando nós estamos com dificuldade de ser contratados para cantar nas festas juninas em Pernambuco porque não temos os termos de contratação de cachê”, disse.

O vereador Almir Fernando entregou diplomas e troféus aos representantes das quadrilhas juninas Pisa na Fulô Mirim, Origem Nordestina, Lumiar e à presidenta da Feguajupe, Michely Miguel. Também foram homenageados a forrozeira Cylene Araújo; o blogueiro Cláudio Rocha; radialista Evandir Pedrosa, pelo Programa Forró na Nova é de Torar, da Rádio Nova FM; o “embaixador do forró” Ivan Ferraz; a forrozeira Nádia Maia; o poeta e forrozeiro Tuca Versátil; o músico e forrozeiro Roberto Andrade; a Sociedade dos Forrozeiros Pé de Serra e Aí; e o grupo Som da Terra, que comemora 40 anos de música. O grupo encerrou a solenidadde cantando algumas músicas populares, além da clássica “Asa Branca”.

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