Parque Aza Branca, última morada do Rei do Baião, comemora 30 anos

Exu, caatinga de Pernambuco, noroeste do estado. A cidadezinha de 1.337 km2 tem pouco mais de 30 mil habitantes, ou seja, população insuficiente para encher metade das cadeiras do estádio paulistano do Morumbi. Faz um sol de arder o coco e a vida segue com a simplicidade do interior. A economia é baseada em turismo e todo o interesse turístico se deve, essencialmente, ao Rei do Baião. Luiz Gonzaga viveu em Exu até seus 18 anos e só voltou para lá quando tinha mais de 60, quando estabeleceu residência na propriedade que chamou de Parque Aza Branca. De fato, o músico nunca conseguiu deixar sua pequena Exu. Levava a cidade em seu canto, onde ele, antes de qualquer pessoa, era o primeiro a se encontrar.

Desde 1930 quando precisou sair fugido por conta de uma história de amor proibida com a filha de um poderoso coronel, o pernambucano jurava regressar. Ficou 16 anos sem aparecer, cultivando a saudade. Chegou de surpresa aos 34 anos, quando começava a fazer sucesso, para rever seus pais, o sanfoneiro-pai e vovô-do-baião Mestre Januário e sua mãe, dona Santana. Na ocasião, ainda moço e com a carreira só começando, não pôde ficar por muito tempo. No entanto, foi essa rápida visita que permitiu que o cantor se recarregasse da caatinga, assumindo a partir dali para o resto do mundo sua vestimenta de couro e chapéu de cangaceiro.

Depois desta primeira visita, passaram-se 18 anos até Gonzaga comprar as terras onde viria a construir sua casa e museu. Em 1964, comprou o terreno de 3,7 hectares, a 1km da cidade, e o registrou como Parque Aza Branca (o Z em asa foi intencional, para que levasse o Z de LuiZ e de GonZaga). Lá fixou residência no fim dos anos 70. O parque, no entanto, só teve suas portas abertas no dia 13 dezembro de 1982, seu aniversário de 70 anos. Para a ocasião, ele organizou a festa “O Rei Volta Pra Casa”. Estavam lá Gilberto Gil, Fagner, Dominguinhos, Elba Ramalho, outros artistas da região e o povo exuoara. A festança atravessou a madrugada e a inauguração do parque foi abençoada pela música e alegria de todos.

Gonzaga começou desde aquela época a construir um museu. “Ele sempre disse que deixaria tudo aqui para que as futuras gerações pudessem conhecer sua história”, conta Clemilce Cardoso Parente, administradora do parque. O museu iniciado por Gonzaga foi concluído por Gonzaguinha, que dedicou o final de sua vida a organizar o acervo do pai. Com a morte prematura de Gonzaguinha em 1991, o parque ficou sem ninguém. Um empresário da cidade, seu Zito Urbano, grande fã e amigo de Gonzaga, se prontificou a comprar a propriedade. “Ele era louco pelo amigo e queria transformar tudo em museu. Comprou o parque em 1993 e deu continuidade ao projeto”, conta Clemilce. Seu Zito morreu cinco anos depois, em 1998, e sua mulher, Elenilde Parente, cunhada de Clenilce, assumiu as rédeas. Criaram o grupo Viva Gonzagão e tentaram de modo tímido e sem muitos recursos levar o sonho do Rei do Baião adiante.



Publicada em 06/12/2012 por: Antônio Ribeiro / Blog Sertão9 

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