'Luiz Gonzaga era namorador, mas muito só', diz autora de biografia


Para fazer a biografia de Luiz Gonzaga, a francesa Dominique Dreyfus morou por dois meses na casa do Rei do baião, no Parque Aza Branca, em Exu (PE). "Vida do Viajante: A Saga de Luiz Gonzaga" (Editora 34, 352 págs., R$ 54) só foi lançado em 1996, sete anos após a morte do Rei do Baião, e ganha nova edição agora, no centenário do artista, nascido em 13 de dezembro de 1912.

"O Gonzaga é a metáfora do Nordeste rural", analisa Dominique, que participou de debate sobre seu livro no último fim de semana, em Recife, na Livraria Cultura do Riomar Shopping. Nascida em Poitiers, ela passou a infância e parte da adolescência entre Garanhuns, no Agreste de Pernambuco, Olinda e Recife. A jornalista é pesquisadora de música brasileira e também é autora de "O Violão Vadio de Baden Powell".

Dominique contou sobre o processo de elaboração de uma biografia. "Você procura ouvir todos os lados e vai averiguar, porque cada verdade tem várias versões e você vai buscar a sua para poder escrever", explica. "Certas coisas eu preferi deixar para o leitor tirar suas próprias conclusões. Uma vez, por exemplo, um jornalista me perguntou sobre a paternidade do Gonzaguinha. Eu disse: "Eu não estava na cama para saber"", lembra ela.

A francesa conviveu com a mulher do cantor, a contadora Helena das Neves Cavalcanti (com quem ele foi casado por 40 anos) e com seu último amor, a advogada Edelzuíta Rabelo (com quem Gonzaga começou um caso em 1975 e por quem deixou Helena, em 1988). "Ele era muito namorador, isso não era novidade", lembra Dominique. Apesar disso, ela garante: Gonzagão era muito só. "Acho que isso é uma coisa que os grandes gênios têm", acredita.

A biógrafa revela, ainda, que o Rei do Baião soube lidar com as várias fases de sua carreira, que teve altos e baixos, e que tinha consciência de sua importância. "Quando a música é boa, ela vai sobreviver a qualquer coisa. Existem ciclos, mas o que permanece é o que marca gerações", atesta a escritora.

Publicada em 20/12/2012 por: O Dia

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