CD: O Artista Cabra da Peste

A história de vida do pernambucano Ivan Ferraz, 68 anos, pode ser resumida em uma palavra: forró. O ritmo tomou conta das atividades dele quando ainda era moço. Cantor, compositor, poeta e radialista há 31 anos, Ivan tem nove LPs e oito CDs lançados. Todo esse trabalho ganhou provas de reconhecimento. Ivan tem título de cidadão do Recife e Caruaru, além de uma placa da Assembleia Legislativa. Hoje, apresenta o programa Forró, verso e vida de segunda a sexta das 16h às 18h, na rádio pública da Universidade Federal de Pernambuco. Lá, declama poesias e chama velhos e novos forrozeiros para divulgarem sua música.

Vaidoso, o músico não gosta de falar muito sobre sua idade. “Não tenho idade, tenho vida. Só é velho quem não está morto, não é verdade?”, indagou, bem-humorado. Ele, conta, que ainda não atingiu todos os objetivos de sua trajetória. “Gostaria que os forrozeiros fossem mais valorizados pela sociedade. Enquanto isso vou seguindo meu caminho fazendo a divulgação dos conhecidos e dos anônimos”, destacou. Cabra da peste, nascido em Floresta, no Sertão do estado, a juventude de Ivan foi marcada pelas serestas. Ele também escutava muito rádio, principalmente as músicas de Luiz Gonzaga. Nessa época, o rapaz nem imaginava que seria amigo do Rei do Baião.

O primeiro encontro entre os dois aconteceu quando Gonzaga fazia um show em uma praça em Floresta. Mas a amizade começou depois que Ivan foi trabalhar como produtor numa famosa loja de discos da época. O relacionamento rendeu frutos que duram até hoje. No mês que vem, o radialista vai lançar o CD “Eu e Gonzagão”. As 14 faixas passeiam entre músicas, poesias e na capa até tem uma foto de uma matéria que o Diario publicou sobre os dois no ano de 1986. “Esse é meu presente para o centenário dele. Ele não viveu para ver, mas eu espero estar vivo para apreciar as homenagens feitas a mim no meu aniversário de 100 anos”, brincou.

O repente também está no cotidiano de Ivan. O som da viola por trás da poesia matuta lembra os tempos de criança e juventude do compositor em Floresta. Casado há 35 anos, o pai de filha única e avô do neto de sete anos, é pessimista em relação ao futuro da música. “Meu neto está estudando piano, mas eu sempre digo para ele usar o instrumento apenas como atividade paralela. Hoje em dia viver da música é muito difícil”, opinou. Com o intuito de ajudar os artistas no que chama de dificuldade, toda última quinta-feira de cada mês, o radialista escolhe um forrozeiro para dedicar um programa especial. Faz isso há três anos. O primeiro homenageado foi Arlindo dos Oito Baixos. Programas que “cuidam” da cultura nordestina são o foco de Ivan, que já trabalhou também na TV Pernambuco.

Ivan já gravou tantas músicas que nem sabe quantas já escreveu. A canção preferida do forrozeiro é Juventude no Forró, composta por Brito Lucena. A letra é um clamor para os jovens se prepararem para não deixarem o forró morrer. Outro tema preferido do radialista são as músicas que retratam o meio rural. Além de escrever, as atividades preferidas do compositor são ler jornais, revistas e livros de poesias, além de conversar. “Adoro uma boa conversa, ela faz o tempo passar e a gente nem perceber”, disse.

FONTE: CAROLINA BRAGA / DIARIO DE PERNAMBUCO

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