Aos mestres do couro, todo o apreço do Rei do Baião

Dois artesãos, ambos do Exu, foram os mais próximos de Gonzaga
Luiz Gonzaga sempre teve enorme apreço pelos artesãos do couro, criadores do seu traje típico, tão marcante na história da Música Popular Brasileira. Era admirador dos mestres que exerciam a atividade. Luiz Antonio Sobrinho, 84, batizado pelo sanfoneiro como Luizinho dos Couros, e José Aprijo Lopes, 70, ambos naturais do Exu, foram os que chegaram mais próximo do Rei do Baião.

Seu Lua era tão apaixonado pela arte que não podia ver um vaqueiro trajando material de qualidade ou um artesão desenvolvendo bom trabalho. Procurava saber com o vaqueiro quem era o mestre que produzia a roupa. O intermediário de Luizinho foi seu próprio primo. “Tudo começou quando Luiz Gonzaga viu um primo meu, que era vaqueiro, usando uma roupa de couro que fiz muito bem feita, floreada”, conta o artesão, em entrevista na sua humilde residência, na Zona Rural de Exu.

Poucos dias depois, estava Luiz Gonzaga batendo na porta de Luizinho dos Couros, para encomendar seu traje. “Tirei as medidas, tudo direitinho, e fiz a roupa de couro de Seu Luiz. Não era muito aperfeiçoada porque eu fiz no sistema de vaqueiro mesmo. Depois comecei a fazer as blusas de couro, parecidas com paletó, tudo floreado”, explica o mestre.

O primeiro show com a indumentária fabricada por Luizinho foi na cidade de Feira de Santana, na Bahia, em 1954. O artesão exibe com orgulho a foto do Rei do Baião tirada no dia da apresentação, estampada na parede da sala. Desde 1984 que Luizinho não fabrica mais as peças. A idade avançada e os problemas de saúde atrapalharam o trabalho, que exige muita paciência e habilidade. “Hoje em dia, até pra abotoar a camisa eu tenho dificuldade”, lamenta. 


FONTE: FOLHA DE PERNAMBUCO

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