Discografia de Luiz Gonzaga ganha reedição completa em seu centenário


Pela primeira vez na história, toda a discografia de Luiz Gonzaga (1912-1989) vai ser reeditada em CD.

A promessa é da gravadora Sony Music, que detém o catálogo da RCA, pela qual o rei do baião lançou a maior parte de sua obra.

A empresa também negocia com a EMI o licenciamento dos álbuns que o músico pernambucano produziu pela Odeon. A reedição integra a série de comemorações do centenário do compositor, celebrado em 13 de dezembro deste ano.

Com previsão de chegar às lojas em pequenos lotes a partir de setembro, o pacote soma 58 discos, que serão vendidos separadamente.

Chegou-se a cogitar a edição de uma caixa com a obra completa, mas, dado o tamanho da empreitada, o produto final sairia caro demais para o consumidor.

"Estamos no projeto desde o ano passado. Desses 58 álbuns, 15 nunca foram lançados em CD", contabiliza Bruno Baptista, gerente de marketing estratégico da Sony.
Segundo ele, a etapa mais complexa é a restauração dos fonogramas gravados em discos de 78 rotações no período que vai de 1941 a 1960. Desse lote, ele diz, sairão 15 CDs com 16 faixas cada um.

Outra iniciativa da Sony para comemorar o centenário de nascimento de Gonzagão é a preparação de um álbum de duetos póstumos, em que artistas vivos vão interpretar sobre gravações deixadas pelo cantor --algo como o que já foi feito no Brasil com a obra de Renato Russo e, lá fora, com a do norte-americano Nat King Cole.

"Recuperamos tapes [gravações] de duas polegadas e digitalizamos 20 músicas", conta Baptista. "Tudo está sendo feito com direção dos músicos Fagner e José Hamilton. Ainda estamos na fase de selecionar os nomes dos convidados."

BAIÃO SEM PRECONCEITO

Outro projeto com artistas brasileiros interpretando o repertório de Gonzaga -só que sem a "participação" dele- já está na fábrica e deve chegar às lojas ainda neste mês.

Produzido por Thiago Marques Luiz para a pequena gravadora Lua Music, "100 Anos de Gonzagão" vai trazer 50 gravações em três discos.

O time de cantores tem nomes como Elba Ramalho, Dominguinhos, Amelinha, Geraldo Azevedo, Ednardo, Cida Moreira, Zezé Motta, Chico César, Cátia de França, Ângela Ro Ro, Célia, Eliana Pittman e Zeca Baleiro.

Também inclui figuras da nova geração, como Gaby Amarantos, Karina Buhr, Marcia Castro, Filipe Catto, Thaís Gulin, China e as bandas Vanguart e 5 a Seco.

"É um disco sem preconceito. Vai de Claudette Soares a Elke Maravilha", diz Marques Luiz. "Quis que fosse eclético, porque Gonzaga foi um dos poucos que conseguiram ser assim. Foi o primeiro a atingir, com a mesma música, o povo e a elite. Era justamente aí que morava a genialidade dele."

ECOS NA TROPICÁLIA

A música de Luiz Gonzaga influenciou inúmeros artistas. Desde nomes da tropicália, como Caetano e Gil, passando pelo rock dos Mutantes e de Raul Seixas, até a bossa nova de João Gilberto.

Reverenciado por gerações mais recentes, Gonzagão vem recebendo diversas homenagens neste mês, em São Paulo (veja programação abaixo).

Em julho, vale destacar os shows marcados para os dias 10 e 11, no Sesc Vila Mariana. Na ocasião, Fagner, Lirinha, Otto, Siba, Felipe Cordeiro, Spock e Rhaissa Bittar apresentarão versões sobre temas de Gonzaga.

"Ele foi um acontecimento do tamanho de um Tom Jobim. Luiz Gonzaga afirmou, de uma vez por todas, a música nordestina no país, sem ser caricato", diz Cordeiro, que recebeu carta branca de Lirinha, diretor musical do espetáculo, para reler composições de Gonzagão como "Que nem Jiló".

Colaborou LUCAS NOBILE, de São Paulo

Publicada em 26/06/2012 por: Marcus Preto / Folha de São Paulo

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