CD "Rabequeiros de Pernambuco"


O rabequeiro, ao lado do repentista, do cantador e do violeiro, integra uma força cultural milenar que foi transplantada para o nordeste brasileiro onde vicejou quase sempre na marginalidade. O tocador de rabeca e a arte de poetizar tangendo o instrumento mistura arabidade, ibericidade e nordestinidade na formação das essências sonoras brasileiras.

Para muitos estudiosos, a música renascentista jamais teria sido a mesma sem os empréstimos dos instrumentos árabes que foram adaptados como alternativa à polifonia das vozes humanas. E entre esses instrumentos estava o rabab (ou rebab), que evoluiu para rabeca, modificando seu formato, mantendo o som possante e estridente e sobrevivendo à sofisticação do violino e de toda a música sinfônica. Com a chegada da colonização no Brasil, a rabeca, que entrou na Península Ibérica com a invasão dos mouros, foi introduzida à nossa cultura popular e por não seguir um padrão de construção, cada região elabora o instrumento à sua maneira. Hoje é mais encontrada nas regiões do Nordeste e do Sudeste do Brasil. Em Pernambuco, existem muitos artesões e rabequeiros, principalmente, na Zona da Mata Norte e na região Metropolitana do Recife. Na música, observa-se acompanhada por outros instrumentos como viola de 10 cordas, violão, pandeiro, baje, zabumba, baixo, sanfona, variando no estilo conforme a região.

A escolha dos 24 rabequeiros participantes se deu através de uma pesquisa feita por Cláudio Rabeca desde 2002, de famosos à anônimos, o CD é um importante registro para a música Pernambucana. É importante ressaltar que o projeto abrangeu várias regiões do estado, pois temos Alberone de Arcoverde, Márcio Viana de Garanhuns, a Zona da Mata Norte está representada pelos Rabequeiros: Luiz Paixão, Antônio Teles, Manoel Pereira, Mestre Zé de Bibi, Biu de Dóia e Salatiel da Rabeca, a região metropolitana contará com Siba, Maciel Salu, Dinda Salu, Renata Rosa, Cláudio Rabeca, Gustavo Azevedo, Aglaia Costa, Sônia Guimarães, Antúlio Madureira, Nylber da Silva, e Zé Cafofinho. Os Rabequeiros Pedro Côra e Mestre Araújo, apesar de residirem na Paraíba, divisa com Pernambuco, têm suas histórias, até hoje, totalmente ligadas ao Cavalo Marinho Pernambuco, são rabequeiros considerados pernambucanos pelos mestres de ab moram atualmente em São Paulo, mas contribuíram e ainda contribuem bastante com a cultura pernambucana, portanto, não poderiam ficar de fora deste projeto.

cavalo marinho da região da mata norte. Murilo Silva, Rafa da Rabeca e Adriano Salh.
Assim como as palavras e as expressões antigas que permanecem como patrimônio coletivo profundo da nossa cultura, em algum lugar do passado, em alguma época não identificada, o som da rabeca ecoa na malha do tempo para dar permanência e sentido à vida dos rabequeiros. Não importa se isso acontece quando uma banda sobe ao palco ou quando numa feira um cego cantador toca rabeca, o importante é que a rabeca segue dando prosseguimento ao que o ser humano tem de mais seu, que é a capacidade de expressar sentimentos pela arte. Tais observações se coadunam perfeitamente com a proposta deste projeto, que trará mais visibilidade a esta arte tão rica e profunda. Este Projeto foi dedicado à memoria dos rabequeiros: Mestre Salustiano, Mané Pitunga e Mané Gomes.

Por: Fábio - Loja Passa Disco


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