No ritmo acelerado

O forrozeiro Dudu do Acordeon foi destaque no caderno Vrum Veículos do Diário de Pernambuco deste domingo (12). Confira a matéria escrita pela jornalista Rebeca Kramer (Especial para o Diario)

Você já escutou a música Velocidade, de Jota Quest? Para quem não conhece, a letra revela a velocidade que ultrapassa as barreiras da luz e do som. Falar de carros na música ou utilizá-los como elementos de audiovisual em clipes inspira sensação de ar fresco no rosto, embaraçando os cabelos. Além de refletir a atitude que a velocidade dos automotores instiga nas pessoas.

Mateus de Lima Pontual, de 19 anos, toca guitarra numa banda de rock alternativo desde o início do ano, mas está inserido no contexto musical de outros grupos desde 2005. Com estilo variando do indie rock até o audioslave, o estudante de arquitetura da Universidade Federal de Pernambuco ainda diz ter um forte gosto por carros e automobilismo de maneira geral. É o caso de Mateus com veículos vem desde o dia 9 de março de 1991, ano em que ele nasceu. "Nesse dia, Ayrton Senna fez uma pole position no Grande Prêmio do Brasil, e eu que acabara de nascer 'assistia' ao fato, ao mesmo tempo que mamava pela primeira vez", brinca.

Por influência paterna, ganhava sempre muitos carrinhos de presente, além de festas de aniversário tematizadas. "Acredito que por isso desenvolvi grande fascínio por velocidade, causa das minhas inúmeras cicatrizes de quedas inconsequentes de bicicleta. Deve ser por isso que gosto tanto de carro hoje em dia", afirma. Para Mateus, carros e música estão sempre interligados e têm muito a ver com rock'n'roll, especialmente hard rock e heavy metal. "O estilo agressivo, energético, barulhento e explosivo do ritmo combina muito com os automotores na hora de fazer letras, ou envolver visualmente nos videoclipes".

Para o forrozeiro Dudu do Acordeon, o carro também pode ser um grande local de inspiração para poetas e compositores, com as estradas servindo de cenário através das janelas. "Dominguinhos, mesmo, não anda de avião, então certamente muitas de suas canções foram feitas dentro de algum veículo, enquanto ele viajava", conta. Dudu coloca que já compôs viajando, aexemplo da música Uma mistura só, a primeira a ser composta sobre quatro rodas. "Por isso, eu fico atento e ando com gravador para não esquecer palavras nem melodias".

Ainda de acordo com Dudu, as letras de música refletem o cotidiano das pessoas. E, portanto, utilizam os carros como elementos de significação por eles serem igualmente relacionados ao dia a dia da população comum. "Tem um compositor amigo meu que é caminhoneiro, o Júnior Vieira, e ele é um exemplo de como suas músicas são ligadas à sua vida", relata. E completa: "Há uma música de forró de Louro Branco, chamada Falta de humanidade, que conta a história de um chofer que atropela uma criança, leva para o hospital, mas lá ela não pode ser atendida porque não tinha como pagar. E, no final, o menino é o próprio filho do médico. Essa canção é baseada em fatos reais", dispara. 



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