Poesia com teatro




Um dos formatos de espetáculo mais interessantes em que pude tomar parte foram as leituras dramatizadas de texto poéticos. Meu grande aprendizado começou no ano de 1985 quando fiz parte do GRUPO DE POESIA FALADA DO RECIFE, no qual conheci encenada nos palcos a poesia de: Fernando Pessoa, Joaquim Cardoso, João Cabral de Mello Neto, Ascenso Ferreira, Manuel Bandeira, Audálio Alves, José Mário Rodrigues, Jaci Bezerra, Alberto da Cunha Melo, Celina de Holanda, Janice Japiassu, Tereza Tenório e Patativa do Assaré.

Posteriormente, fundei em 1989 meu próprio grupo o GRUPO DE ANIMAÇÃO CULTURAL DO SESC-SANTA RITA, no qual partimos para pesquisa e experimentalismo montando ao todo quatro espetáculos, que culminaram com nosso premiado espetáculo NORDESTE NA MENTE, com o qual fui premiado pelo trabalho musical várias vezes em Pernambuco e até num festival de caráter nacional em Ponta Grossa-PR em 1991. Foi neste lindo espetáculo, em que pesquisei para compor trilhas musicais, já que além de ator também assinava a direção musical, que aprendi pelas mãos do amigão Neném Patriota as formas fixas da poesia popular nordestina da cantoria e da literatura de cordel.

A vida de casado obrigou-me a me abster dos palcos a partir de 1992, quando nasceu meu filho mais velho. Fui pro mercado formal de trabalho e encarar o curso de engenharia civil, passando cerca de 7 anos de minha vida longe dos palcos de teatro, eventualmente, fazendo meus shows de voz e violão que me garantiam complemento de renda familiar necessária para fazer frente às despesas da casa. Em 1997, escrevo e publico, com apoio do grande amigo e mecenas Fernando Nogueira, EPOPÉIA CORDELÍSTICA DO BRASIL, A História do Brasil em cordel de Cabral a FHC. Aí entro no mundo das letras de cordel, onde estréio definitivamente em 1999, com O TRABALHO DE BRENNAND, um jocoso e apimentado folheto que me fez peregrinar como folheteiro e declamador itinerante pelo Recife e região metropolitana.

Em 2007 eu volto a esses espetáculos poéticos, cênicos e musicais com TRÊS CAUSOS DE CASTRO ALVES, uma compilação de Morse Lyra de poemas do vate baiano, que eu posteriormente escrevi para este espetáculo uma narrativa em cordel, toda musicada em sete estilos musicais diferentes. Em 2008 fizemos nossas melhores performances sob direção de Samuel Santos, estivemos no palco do ARMAZÉM 14 e TEATRO APOLO através de patrocínios privados e estatais que o operante Dr. Morse Lyra Neto articulou com grande competência.

Em 2005, ajudei a fundar a UNIÃO DOS CORDELISTAS DE PERNAMBUCO, junto do qual formatamos um tipo de espetáculo similar, porém essencialmente autoral, bem mais livre, já que o caráter amador da maioria dos integrantes do grupo no seu início não nos permitia um apuro estético mais arrojado. Durante esse processo, produzi dois CDS: CORDAS E CORDÉIS(pago do bolso de sete poetas envolvidos) e CORDAS E CORDÉIS DO RECIFE( patrocinado pelo MINC, através da Gerência de Rádio da Prefeitura do Recife) no qual reunimos dez cordelistas, todos membros da UNICORDEL.

Em 2008, passei a ser colaborador da UNICORDEL sem atuar como membro efetivo da entidade, e em 2009, produzi como diretor de arte e direto musical o CD PENSE NUM MOÍDO , autoral da literatura de cordel dos parceiros Paulo Moura e Edgar Diniz, assim como, fazendo as mesmas funções, o CD NAS ASAS DA POESIA, interpretado por Morse Lyra com poemas de Manuel Bandeira, Carlos Pena Filho, Ascenso Ferreira, Castro Alves, Chico Pedrosa e Allan Sales.

Neste 2009, a Bienal Internacional do Livro me permitiu um amplo e produtivo exercício de palco com muitos vates dessa cidade. Em 2010 vou aprofundar a produção e espetáculos dessa natureza a partir do Pátio de São Pedro onde a municipalidade nos permite agora articular e desenvolver o desdobramento desse profícuo aprendizado que tive o privilégio de empreender com valorosos parceiros. As negociações estão em andamento e espero contar com o apoio das pessoas que sempre nos foram caras, generosas e proativas neste processo coletivo de construção de empreendimentos culturais em nosso querido Recife.


ALLAN SALES- Músico, poeta , compositor e produtor cultural.

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